Shawn Mendes Brasil

Shawn Mendes fala sobre ansiedade, turnês mundiais e encontrar o amor para Sunday Times UK

Você pode não ter ouvido falar sobre ele, mas seus filhos/as ficarão loucos por ele. Conheça o “cara normal” que se tornou um galã internacional.

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  “Ei, você quer Whisky?” disse Shawn, pegando uma garrafa da prateleira. Nós estamos num bar de cocktail (batidas) no oeste de Hollywood e temos um espaço reservado somente para nós. Shots (doses) com o Shawn? Vamos nessa. Mas enquanto ele abre a garrafa, hesita. “Isso não é Whisky, tem cheiro de suco. Eles nos enganaram!”

  É como se eles que Shawn estaria aqui. Apesar de lotar estádios ao redor do mundo, com apenas 20 anos ele ainda é muito novo para beber nos EUA. Não que ele tomaria algo mesmo se fosse maior de idade. “Estou em turnê,” explica timidamente. Achei que estar em turnê era uma festa inacabável. “Claro que não, cara. Você já cantou por 60 minutos em um palco? É difícil pra  c******. Sem falar na péssima ressaca. Tem alguns remédios mágicos que podem ajudar, mas eu não estou interessado neles, então quando estou num voo de 10 horas e depois dirijo mais 3 horas até o local do evento e ainda faço 3 entrevistas, honestamente, é fisicamente impossível beber. Você tem que ser um atleta no mundo do POP, não estou brincando,” isso não é nada rock ‘n’ roll. O que Mick Jagger diria? “Ele não tinha celulares o filmando 24 horas por dia, 7 dias da semana,” Mendes responde. “Se ele aparecesse acabado, ninguém saberia. Se eu arruinar tudo, se tornará viral.” É um ponto justo — e Mendes entende disso. ‘Se tornar viral’ é o que decolou sua carreira.

  Com 15 anos, depois de aprender sozinho como tocar violão com a ajuda de tutoriais no YouTube, Mendes postava vários vídeos curtos de seus covers das músicas pops no aplicativo (desativado) Vine. O que aconteceu a seguir foi milhões de visualizações, um contrato com gestores e uma gravadora. Cinco anos depois, o garoto nascido em Toronto possuí três álbuns #1, um single três vezes platina (Treat You Better) e 34.6 milhões de seguidores no Instagram. “É basicamente o Canada todo,” ele brinca. “Eu acho que a população (do Canadá) é 35 milhões.”  As estatísticas são intrigantes: mais de 16 bilhões de streams, 12 milhões de álbuns vendidos, 4 bilhões de visualizações no YouTube e duas turnês mundiais esgotadas. Seus shows no Madison Square Garden em Nova York e na O2 em Londres esgotaram em minutos. Eu conheci eles através da sua terceira turnê mundial — duração de oito meses, com mais datas há serem adicionadas — para promover seu homônimo terceiro álbum. “Nós vamos tentar fazer 4 noites na O2 dessa vez,” diz. “Eu sei, cara. É louco!”

  Justin Bieber é a comparação obvia, outro galã dolescente POP do Canadá. (O que estão colocando no xarope (calda) de lá?) Mas Mendes passou longe da arrogância e rebeldia de Bieber. Ele ainda é o garoto sensível da casa ao lado com os olhos de cachorrinho e ética perfeita, uma pessoa tão saudável que ele funciona como uma prorrogação cultural dos tempos conturbados. O Justin Trudeau (ministro do Canadá) dos adolescentes trovadores. Ele é tão inocente, ao menos aparenta, que nem se apaixonou ainda, muito menos teve seu coração partido. “Eu realmente gostaria (de estar apaixonado),” ele diz, “pois escreveria um ótimo álbum.” Talvez tenha existido uma chance recentemente. Em maio ele levou ao tapete vermelho do Met Gala, de mãos dadas, a modelo americana Hailey Baldwin. A internet automaticamente caiu de amores pelo casal, mesmo Baldwin ter insistido que eles eram apenas bons amigos. Agora ela está noiva de Bieber. Acompanhando?

  Sinto que é hora de seguir em frente. E Camila Cabello, então, uma amiga que quebrou recordes do POP e rumores de um possível caso entre eles? Infelizmente, “apenas uma amiga. Estou totalmente solteiro agora.” Ele está olhando, entretanto — para a plateia. “Claro, eu namoraria uma fã. Por que você não namoraria com alguém que te admira? Não é isso que os casais sempre dizem? ‘Ela é a minha maior fã.’” Eu sugeri que uma fã adoradora provavelmente o colocaria num pedestal, ao invés de ama-lo por quem ele é. Já consigo sentir o que os pais de Shawn sentem. “Totalmente, mas o choque de ser uma estrela só dura algumas horas e então percebem que sou um cara normal.”

  Um ‘cara normal’ que inspira uma massa de histeria onde quer que vá. Quando as notícias se espalharam que ele estava na América do Sul recentemente, 1.500 fãs foram até seu hotel. Eles até o seguiram até a porta da frente da casa de seus pais. “Uma garota veio de shorts e camiseta implorando por uma carona até o Starbucks.” E como ele é um ótimo rapaz e ‘não podia dizer não’, ele acabou levando a garota até o café. Agora que Shawn tem seu próprio apartamento, isso ainda acontece. “Teve um garoto de 14 anos que veio até minha porta. Foi bem assustador. Eu não estava em casa, mas as câmeras de segurança o filmaram.”

  Mendes está bem feliz de ter seu próprio lugar. Até ano passado, ele vinha se apresentando em estádios e depois voltava pro seu quarto de infância, com sua mãe lhe chamando pra jantar. Agora ele tem uma cobertura com uma visão ‘doentia’ de Toronto, que ele me mostra no seu telefone: “é importante acordar e olhar para a cidade em que cresci.” Quando é a festa, Shawn? Ele dá de ombros. “Bom, ainda tenho que trabalhar nisso. Não sou muito festeiro. Por Deus, preciso aproveitar mais minha vida e parar de me preocupar com o trabalho, mas acho isso difícil.”

  Ele sai de tempo em tempo, diz, e sem nenhuma equipe. “Não me preocupo com isso. Se as pessoas querem uma foto, tirarei uma foto.” Mas ele é muito concentrado no trabalho, mesmo na sua idade, então seu apartamento é mais como um santuário do que uma pista de dança. “Você está em turnê e uma manhã você acorda em Londres e em outra em Paris. Então um dia você acorda no seu condomínio em Toronto e está tudo quieto e não tem ninguém lá. Isso é literalmente uma poção para escrever músicas.”

  Se existe uma rachadura na armadura, é sua ansiedade. Em seu último álbum, a música ‘In My Blood’ contém as frases “Deitado no chão do banheiro, sentindo nada / Estou sobrecarregado e inseguro, me dê alguma coisa.” Seria a pressão da fama? “É difícil dizer porque não experimente outra coisa. Fiquei famoso com 15 anos. Mas ser famoso literalmente não ajudou.” Ele não toma medicamentos. Sua terapia é se reunir com seus amigos do colegial. “Às vezes vocês precisa sair do seu mundinho pra ter uma perspectiva. É difícil manter sua moral lá em cima, as vezes. É difícil ser um humano.”

  Mesmo assim, não há um lado obscuro para Mendes. Quando pergunto sobre a angústia e o tormento da adolescência, ele balança a cabeça. “Não posso opinar nisso. Eu tive e tenho uma vida realmente incrível.” E é verdade. Irmão mais velho — sua irmã tem 14 anos — ele cresceu como um garoto normal da classe média do subúrbio. Sua mãe britânica, de Bournemouth, é corretora de imóveis, e seu pai português tem um humilde negócio fornecedor para restaurante em Toronto. “Minha mãe e meu pai, nós somos muito próximos. Eu conto tudo pra eles. Temos uma regra: eles não podem ficar bravos comigo se eu contar pra eles. Então uma vez eu disse,“ei, hoje à noite vou beber álcool,” e eles ficaram ok com isso.”

  Agora ele é amigo e colabora com seus ídolos e heróis. Alicia Keys é uma colega — “ela é surreal, muito engraçada.” John Mayer lhe deu um violão elétrico. Ele apoiou Taylor Swift em sua turnê, e cantou com Ed Sheeran. Ele também é porta-voz da coleção de relógios da Emporio Armani e modelo da Giorgio Armani em Milão. “Isso me ajudou muito como pessoa. A Europa é tão livre. Eles são tipo ‘coloque está jaqueta amarela brilhante e vá dançar na passarela.’ Ninguém lhe diz o que você deve fazer. Na América eles são tipo ‘bem, ele toca violão, usa calças pretas, e não faz tal coisas.”

  Hoje Shawn está usando uma camiseta branca, calça jeans preta e uma bota YSL. “Meu estilista montou esse look.” Ele tem três horas de lições duas vezes por mês. “Não penso sobre isso. Descobri que se você colocar sua blusa dentro da calça e usar um cinto, isso é um look, certo?” 

  Ele tem muito orgulho de suas tatuagens e seus colares e pingentes, um deles veio de sua vó da Inglaterra. “Eu amo Londres, cara. As pessoas consomem música rápido lá. Uma música atinge o primeiro lugar e depois cai em questão de duas semanas. Isso demora meses nos Estados Unidos. Considero morar lá totalmente.”

  Para registro, ele gosta de sair em Shoreditch e ter tempo livre. Tempo suficiente para conhece alguém especial? “Ei, estou aberto à isso. Nunca se sabe.” Espero que isso aconteça, digo à ele. E espero que ela quebre seu coração. Ele começa a gargalhar. “Cara, eu também — isso seria maravilhoso!”

  O álbum Shawn Mendes já está disponível: shawnmendesofficial.com